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Sobre Gênero, Feminismo, ENEM…sobre “humanos”(?)

28 outubro 2015 | 11:03

Por: Pe. Eutrópio Aécio de Carvalho Souza. (Foto: Divulgação

Por: Pe. Eutrópio Aécio de Carvalho Souza. Foto: Divulgação

Tenho acompanhado, desde o último sábado, as reações e “reações às reações” aqui na rede social no que se refere às questões colocadas na prova do ENEM. Questões que tocavam na discussão do gênero, por sua vez levavam à questão do feminismo, posições de “direita” ou “de esquerda”…
Questão também sobre a “violência contra a mulher” – tema da redação – que está relacionada às questões supracitadas, mas não somente à estas…
O que penso e pontuo:

  1. O fragmento do texto da obra “O segundo sexo” de Simone de Beauvoir trata sim das relações de gênero. Mas é preciso um cuidado epistemológico (do conhecimento em si) e intelectual, pois não se pode apressadamente concluir que a filósofa francesa pensasse ou defendesse “que o dado biológico” em si não é um dado a ser observado. Aqui se trata de justamente entender “gênero” que seria sim um constructo social, apresentando visões, limitações, proibições coladas à cultura social vigente. O que Simome apontava, naquele seu contexto, era exatamente que se devia dar maior atenção à essa questão além do biológico, pois “ser mulher” é mais do que ser do sexo feminino e tudo aquilo que “socialmente e ideologicamente” fora construído e perpetuado sobre isso…
  2. De Simone de Beauvoir até nossos dias muitas águas correram debaixo da ponte. Correntes do Movimento Feminista se expandiram, inclusive algumas que “chegam a negar o diferencial biológico”…Extremismos há… Tanto fundamentalismos religiosos como outros(científicos, sociológicos…etc) aparecem…
  3. As reações aqui na rede demonstram que os extremismos são perigosos, pois como o próprio termo sugere (estão nos extremos)…cada um mais distante do outro. Já tentou enxergar um objeto distante? Certamente não se consegue ver senão “um longínquo vulto”… Não se pode perceber detalhes, minúcias, talvez alguma imperfeição, etc…
  4. Tanto o extremismo religioso como o extremismo sociológico (nesse caso, feminista) podem, em nome da defesa da sua tese, usar de subterfúgios como o de debochar, desqualificar, manipular, etc, para “empurrar goela abaixo” o que pensa, a “sua verdade”… Infelizmente aqui há também a “desonestidade intelectual”…
  5. Penso que a questão do gênero deva sim ser discutida, mas há que se perguntar: de que forma? Há espaço para romper com “os extremismos citados acima”? Há a possibilidade de “dialogar” num confronto sadio e intelectualmente sério como se requer para questões tão amplas e pertinentes como tal? De quais pressupostos antropológicos e epistemológicos partiremos para esse caminho…?
  6. O tema da redação foi e é necessário ser enfrentado, debatido, aprofundado…não se trata de temática de “esquerda” como alguns imediatamente gritaram. Trata-se de uma questão social grave e persistente, portanto, de uma questão que toca a todos, não somente às mulheres ou às feministas…tapar os olhos ou camuflar isso é, no mínimo, ingenuidade…
  7. Por fim, requer-se, sempre mais, que nós, “humanos”, cultivemos numa sociedade plural e de plurais, a capacidade de perceber a singularidade de cada um, mas também algo precioso e caro à filosofia: “ser pessoa” é distinto de “ser indivíduo”… Ser pessoa necessariamente é ” ser em relação à”…Assim não se pode, apressadamente, arvorear-se em”direitos individuais” quando muitas vezes estes podem ser compreendidos como “direitos individualistas”… Em outras palavras: é necessário a “cultura da relação dialogal”, até de confronto de visões e pensamentos, mas sempre dialogal…Creio que todos, homens e mulheres, “machos e fêmeas” (para alguns!!!)…todos precisamos e necessitamos disso…os tempos, os posts, as reações, os discursos demonstram que ainda temos um caminho a fazer evoluindo no patamar de “homo sapiens…” (!!!) que dizem por aí que somos… Precisamos discutir a “nossa humanidade” sempre… e “construí-la” sempre também…!!!

Pe. Eutrópio Aécio de Carvalho Souza
Brumado-BA, 27/10/2015.



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