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O assédio eleitoral no ambiente de trabalho já resultou em 223 denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) em 2026, segundo o balanço mais recente divulgado pelo órgão. O número ganhou força em agosto, mês de início da campanha eleitoral, que ainda está em andamento e já concentra 95 registros.
Os dados apresentados em uma reportagem do g1 mostram que as denúncias de agosto representam 42,6% do total registrado neste ano. O volume também supera em mais de duas vezes os 46 casos contabilizados em julho, indicando um avanço expressivo dos relatos de pressão ou interferência política nas relações de trabalho.
O crescimento dos registros ocorre justamente no período de início da campanha eleitoral, em 16 de agosto. A partir dessa data, candidatos passaram a poder pedir votos e realizar propaganda eleitoral nas ruas e na internet, desde que respeitem as regras estabelecidas pela legislação.
Antes do início oficial da campanha, os pré-candidatos já podiam apresentar propostas, divulgar suas ideias e buscar apoio político. No entanto, a legislação não permitia o pedido explícito de votos.
A evolução das denúncias também aparece na comparação com eleições anteriores. Entre janeiro e julho de 2026, o MPT contabilizou 128 registros. O número representa alta de 25,5% em relação aos 102 casos registrados no mesmo período de 2024. Na comparação com 2022, quando houve oito denúncias, o volume atual é 16 vezes maior.
Os registros estão distribuídos pelos 26 estados e pelo Distrito Federal. São Paulo aparece na liderança em números absolutos, com 29 denúncias, seguido pelo Rio de Janeiro, com 21, e Pernambuco, com 14. Minas Gerais e Pará registram 13 casos cada. Na Bahia, foram contabilizadas sete denúncias.
Para o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, o aumento das denúncias pode estar relacionado à maior articulação entre os órgãos responsáveis por fiscalizar irregularidades e à facilidade de comunicação dos casos. Segundo ele, porém, o cenário eleitoral deste ano também tende a contribuir para o crescimento dos registros.
O procurador destaca que as eleições presidenciais costumam apresentar maior polarização do que as disputas municipais. Por isso, a expectativa é de que a atuação do Ministério Público do Trabalho seja mais intensa durante o atual processo eleitoral.
“As eleições presidenciais têm uma polarização maior do que as municipais. A tendência é que, neste ano, a nossa atuação seja mais intensa do que nas últimas eleições”, afirma Gláucio.