O cacique Raoni se reuniu nesta sexta-feira (06) com o secretário-geral da ONU, António Guterres, na sede da organização em Nova York. No encontro, o líder indígena entregou a Guterres uma carta em que pede pelo reconhecimento oficial de todas as terras indígenas do mundo, com o objetivo de reforçar a proteção a esses territórios e aos direitos dos povos originários em âmbito internacional. A informação é da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.
No texto, Raoni adota o contexto brasileiro como ponto partida. O cacique menciona 276 invasões a terras indígenas contabilizadas aqui ao longo deste ano, nas quais foram prejudicados 202 territórios indígenas, de 22 estados, com a exploração ilegal de recursos e danos ao patrimônio. A mensagem também trata do Marco Temporal, que está em discussão no STF e limita o ano de 1988, pela promulgação da Constituição Federal, como prazo limite para as demarcações de terras indígenas.
Além do exemplo nacional, Raoni também apresenta a Guterres, na carta, o caso do povo Maori, na Nova Zelândia, que está lutando contra um projeto de conservadores para modificar um tratado de 1840 firmado entre os indígenas e a Coroa Britânica. A mudança, dizem eles, tem potencial para minar os direitos indígenas do país — eles representam 20% dos 5,3 milhões de habitantes.
“É por isso que peço, Senhor Secretário-Geral, que a Organização das Nações Unidas reforce o compromisso com o reconhecimento e a proteção dos povos indígenas e de seus territórios em escala global. Encorajo que a ONU trabalhe em cooperação com os Estados-membros para garantir o pleno cumprimento dos direitos reconhecidos em tratados e constituições, de modo que a ancestralidade, a cultura e o patrimônio indígena sejam efetivamente respeitados (…)”, disse o cacique.
Por fim, Raoni fala da necessidade de que o mundo, via ONU, reconheça “a importância de cada cultura, cada território e cada ecossistema”. Ele afirma ainda que a união é essencial para lidar com “a crise global do clima e da biodiversidade” que, segundo ele, “coloca em risco a nossa existência”.