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por Luana Neiva
O prefeito do Recife (PE), João Campos (PSB), tornou-se alvo de um pedido de impeachment apresentado pelo vereador Eduardo Moura (Novo). A iniciativa tem como fundamento a nomeação de um procurador do município fora da ordem de classificação prevista em concurso público. O caso foi revelado pela coluna de Andreza Matais, no portal Metrópoles.
Na representação protocolada na Câmara Municipal do Recife, o vereador argumenta que o prefeito autorizou, em dezembro de 2025, a reclassificação e a nomeação de um candidato inscrito originalmente na ampla concorrência, mesmo havendo candidato aprovado em primeiro lugar na cota destinada a pessoas com deficiência (PCD), com resultado homologado desde junho de 2023.
De acordo com o documento, o candidato nomeado havia obtido a 63ª colocação no certame e teve sua situação alterada após o encerramento do concurso e fora do prazo estabelecido no edital. Para Moura, a medida caracterizou a preterição de um candidato que detinha direito subjetivo à vaga.
Ao justificar o pedido de impeachment, o vereador sustenta que “os fatos descritos evidenciam, em tese, violação aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade na administração pública”. Em outro trecho, afirma que “a reclassificação tardia e a consequente nomeação afrontam diretamente as regras do edital e a segurança jurídica do certame”.
A representação também ressalta que o candidato nomeado foi originalmente classificado na 63ª posição e que a reclassificação ocorreu mais de três anos após a realização do concurso público.
O documento menciona ainda posicionamento da Associação dos Procuradores do Município do Recife, que avalia que a alteração do resultado “afronta diretamente os princípios da isonomia, da vinculação ao edital e da segurança jurídica”.
Após a repercussão do caso, o prefeito João Campos anulou a nomeação de Lucas Vieira Silva para o cargo efetivo de procurador judicial do município.
Lucas é filho do juiz Rildo Vieira da Silva e de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas, órgão vinculado ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, e havia sido nomeado para uma vaga reservada a pessoas com deficiência.