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Careca do INSS teria articulado consórcio em contrato de R$ 627 mi

30 agosto 2026 | 11:46

Depoimento à PF aponta tentativa de favorecer empresa ligada ao empresário em projeto da Saúde. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, teria articulado a formação de um consórcio de empresas para disfarçar um possível favorecimento à World Cannabis, companhia ligada a ele, em um projeto do Ministério da Saúde estimado em R$ 627 milhões.

A articulação também envolveria a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações foram reveladas pela revista Veja, com base em depoimento prestado à Polícia Federal por Edson Claro, ex-funcionário de Camilo Antunes.

O projeto previa a contratação da World Cannabis para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Segundo o depoimento, o plano seria ajustar o termo de referência da contratação para restringir a disputa a apenas quatro empresas escolhidas previamente pelo grupo.

Três delas seriam indicadas pelo Careca do INSS, enquanto a quarta seria a própria World Cannabis. O modelo permitiria que todas participassem formalmente da concorrência, enquanto Camilo tentaria destravar o negócio dentro do governo por meio de contatos políticos.

Grupo teria buscado influência dentro do governo

Para que o projeto avançasse, ainda seriam necessárias autorizações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e certificações internacionais. Segundo Edson Claro, essas exigências reduziriam o universo de cerca de 400 empresas do setor para aproximadamente dez.

No depoimento à PF, Claro afirmou ter entendido que a formação do consórcio serviria para “dissimular eventual favorecimento à World Cannabis”. Mesmo com a divisão do negócio entre quatro empresas, os lucros projetados continuariam elevados.

As investigações apontam ainda que Marco Aurélio Ribeiro Santana, conhecido como Marcola e então chefe de gabinete do presidente Lula, teria recebido o termo de referência do projeto. Ele também é citado como um dos contatos de Roberta Luchsinger dentro do Palácio do Planalto.

Em abril de 2024, Camilo Antunes viajou à Colômbia com um grupo para tentar adquirir parte de uma das empresas que integrariam o consórcio. A negociação, no entanto, não avançou.

Segundo a apuração, Roberta atuaria como intermediária entre o Careca do INSS, Lulinha e Gustavo Gaspar, ex-sócio de Camilo Antunes e também investigado por suspeita de tráfico de influência no Executivo. A Polícia Federal identificou ainda pagamentos de pelo menos R$ 1,5 milhão feitos por Camilo à lobista para intermediar interesses dele junto ao governo.

Reunião envolveu integrante do Ministério da Saúde

Na tentativa de viabilizar o negócio, Camilo Antunes também teria se reunido em um restaurante de Brasília com Roberta e Swedenberger Barbosa, conhecido como Berge, que ocupava um dos principais cargos do Ministério da Saúde.

Na época, havia expectativa dentro do grupo de que Berge pudesse assumir a presidência da Anvisa, o que seria considerado estratégico por causa do papel da agência na regulamentação de medicamentos, incluindo produtos derivados de cannabis.

Conversas obtidas pela PF indicam que Roberta cobrava contatos e reuniões envolvendo Marcola, Lulinha e Berge. Em uma das mensagens citadas na investigação, ela também encaminhou orientações sobre o que deveria ser buscado dentro do Ministério da Saúde.

Nenhuma das negociações para o fornecimento de canabidiol acabou sendo concretizada. A PF investiga atualmente possíveis tentativas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, Camilo Antunes e Roberta em contratos com órgãos do governo federal. A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que as investigações têm motivação política.

Lula diz não conhecer lobista

Durante sabatina no Jornal Nacional, na última quinta-feira (27), Lula afirmou não conhecer Roberta Luchsinger e disse nunca ter conversado com ela. Após a declaração, imagens antigas dos dois juntos voltaram a circular nas redes sociais.

Roberta, por outro lado, afirmou em entrevista ao g1 que mantém amizade antiga com Lulinha, mas negou ter usado essa relação para obter vantagens dentro do governo. Ela também reconheceu ter buscado apoio para uma proposta envolvendo canabidiol, mas disse que a iniciativa não configurou tráfico de influência.

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